Exposição traz o rosto das mulheres pesquisadas pelo Atlas das Mulheres do Espírito
Com fotografias dos 19 segmentos de mulheres ouvidas pelo
Atlas, a maior pesquisa do tipo já realizada no Estado, a exposição será
lançada junto com um podcast.
Neste sábado (27), a partir das 10 horas, a Secretaria Estadual das Mulheres (SESM), com apoio da Secretaria de Recuperação do Rio Doce (Serd), lança a Exposição Itinerante e o Podcast “São Elas — Vozes e Rostos do Atlas das Mulheres do Espírito Santo”, no HUB+ ES, em Vitória. A iniciativa é o desdobramento público mais abrangente do Atlas das Mulheres do Espírito Santo — a maior pesquisa sobre mulheres já realizada no Estado, lançada em março deste ano.
Se a pesquisa produziu dados, o evento produz presença. Com curadoria de Zanete Dadalto e Dani Nogueira, a exposição reúne fotografias de mulheres que participaram do Atlas,
representando 19 segmentos distintos: pescadoras artesanais, quilombolas,
indígenas, mulheres periféricas, com deficiência, em situação de rua,
trabalhadoras domésticas, políticas, cientistas, mães atípicas, mulheres
privadas de liberdade, entre outras. São rostos que os números não mostram.
Após o lançamento a exposição ficará no HUB + por 15 dias,
de segunda a sexta-feira, das 10h às 18 horas, para quem quiser aproveitar a mostra. “Essa é
mais uma oportunidade de apresentarmos essa pesquisa tão valiosa que foi feita
por nossa secretaria com tanto afinco para ser usada pela população
principalmente na decisão de políticas públicas, mas também na educação, nas
artes, na saúde. É um documento muito importante para as mulheres do Espírito
Santo”, ressaltou a secretária de Estado das Mulheres, Fabiana Malheiros.
A pesquisa ouviu mais de 1.400 mulheres em 97 rodas de
conversa realizadas em todas as regiões do Estado. O Atlas, com 605 páginas,
combina dados quantitativos do Censo 2022, da PNADC e do Anuário Brasileiro de
Segurança Pública com relatos qualitativos e a análise do Índice de Qualidade
de Vida da Mulher (IQVM-ES) por município, ferramenta inédita no Espírito
Santo.
Tanto o Atlas das Mulheres quanto a Exposição Itinerante são
ações previstas no termo de cooperação firmado entre a Secretaria de
Recuperação do Rio Doce e a Secretaria das Mulheres e contam com recursos do
Novo Acordo Judicial do desastre ambiental de Mariana. O objetivo é
democratizar o acesso às informações produzidas, ampliar o alcance social do
Atlas e consolidá-lo como ferramenta de apoio à formulação, monitoramento e
avaliação de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade de gênero nos
territórios atingidos.
Dados importantes
Desde o lançamento do Atlas, em março, alguns dados
relevantes foram apontados que detalharam mais profundamente quem são as
mulheres do Espírito Santo e suas especificidades.
O trabalho doméstico tem raça. 52% das trabalhadoras
domésticas entrevistadas pelo Atlas se autodeclaram pretas e 48% pardas. No
Espírito Santo, 96,9% dos trabalhadores domésticos são mulheres. Mulheres
negras ganham em média R$ 1.809 no Estado — menos da metade da renda de homens
brancos, de R$ 3.883
Mães sobrecarregadas. 67,9% das mães de filhos com
deficiência no Espírito Santo dedicam mais de 40 horas semanais ao cuidado —
sem remuneração. 52,6% abandonaram o emprego ao se tornarem mães atípicas.
Quase metade relata adoecimento físico e mental. Esse grupo nunca havia sido
mapeado em pesquisa oficial no Estado.
O mapa inédito da desigualdade. O IQVM-ES, criado
pelo Atlas, é o primeiro índice de qualidade de vida da mulher por município já
elaborado no estado. Ele mede educação, trabalho, representação política, saúde
e segurança pública nos 78 municípios capixabas.
Números que podem ajudar o poder público a definir políticas
mais assertivas para o desenvolvimento das mulheres e suas famílias.
Além disso, os relatos das mulheres nas rodas de conversa
demonstram as palavras que mais apareceram quando perguntadas sobre o que é ser
mulher, citadas mais de 2.800 vezes, formam um retrato que nenhum índice
consegue traduzir: força, luta, trabalho, cuidado, fadiga, orgulho, coragem,
independência, resistência, sobrecarga. Ao mesmo tempo.
“A exposição ‘São Elas’ mostra esses rostos e essas vozes de
uma forma visível e acessível ao público geral. Não conseguimos mostrar todo o
material fotográfico que foi coletado durante a pesquisa, então achamos que
essa seria a melhor forma de apresentar esse trabalho lindo realizado por
nossas pesquisadoras e fotógrafas”, destacou a coordenadora do Atlas das
Mulheres do Espírito Santo, Jaqueline Sanz.
Ainda
no sábado (27), será lançado o podcast homônimo que vai discutir os
dados e os segmentos abordados na pesquisa. Os episódios estarão no canal do Atlas no YouTube
gradativamente, um para cada segmento.
O tema central do podcast foi responder à pergunta o que é ser
mulher, sendo que cada convidada tecia suas experiências. Cada conversa foi
feita com uma pesquisadora, uma ou mais representações do segmento e teve como
mediadora a jornalista Alice Carpes, também pesquisadora do Atlas.
“Os episódios foram gravados, em sua maioria, no Instituto Jones Santos Neves,
presencial ou on-line, e um episódio foi feito em uma unidade prisional. É um
podcast que permite que cada pessoa conheça a realidade contada por cada
convidada”, explicou Jaqueline Sanz.
Uma exposição que vai onde estão as mulheres
Após o lançamento em Vitória, a exposição percorrerá quatro
municípios capixabas diretamente impactados pela ruptura da Barragem de Fundão:
Baixo Guandu, Linhares, São Mateus e Conceição da Barra. A escolha não é casual
— a pesquisa ouviu mulheres de diferentes segmentos que pontuaram o impacto do
desastre nas suas vidas e elas precisam ser reconhecidas, e a itinerância
responde diretamente a esse recorte territorial.
A secretária de Estado de Recuperação do Rio Doce, Margareth
Saraiva, destacou que a circulação da exposição “São Elas — Vozes e Rostos
do Atlas das Mulheres do Espírito Santo” pelos municípios diretamente
impactados pelo desastre de Mariana representa um gesto concreto de
reconhecimento, escuta e valorização das mulheres desses territórios. “Ao
percorrer esses municípios, a exposição amplia o diálogo com quem viveu e ainda
vive os efeitos do desastre, colocando as mulheres no centro desse processo de
reparação, como protagonistas de transformação, cuidado e reconstrução dos seus
territórios”, afirmou.
Serviço
Data: 27/06 (sábado)
Horário: A partir das 10h
Local: HUB ES — Praça Costa Pereira, 30 – Centro -
Vitória
Entrada: Gratuita
Programação:
10h — Recepção e credenciamento
10h30 — Apresentação cultural
11h — Lançamento oficial (FAPES, IJSN, SERD, SESM)
11h20 — Roda de conversa: "Como o Atlas das Mulheres do
Espírito Santo pode contribuir para visibilizar as inúmeras formas de ser
mulher no Estado?"
Após o lançamento, a exposição será mantida até o dia 13 de
julho no HUB+, de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas. Haverá visitas
guiadas no período da tarde, a partir de 10 pessoas, e as escolas interessadas
podem entrar em contato com a SESM pelo telefone (27) 99275 5289.
Sobre o Atlas das Mulheres do Espírito Santo
Publicado em março de 2026, o Atlas das Mulheres do Espírito
Santo é o maior projeto de pesquisa sobre mulheres já realizado no estado. Com
605 páginas, reúne dados de 19 segmentos e 31 subsegmentos, coletados em 95
rodas de conversa com mais de 1.400 participantes em todas as regiões
capixabas. A pesquisa foi uma iniciativa da SESM com financiamento da Fapes e contou com a
parceria de outras instituições. A exposição conta com o apoio da Secretaria de
Estado da Recuperação do Rio Doce (SERD) e o Podcast com o apoio do IJSN.
Ficha técnica
Realização: SESM/ES
Parceiros: FAPES, IJSN e SERD
Curadoria: Zanete Dadalto e Dani Nogueira
Itinerância: Vitória → Baixo Guandu → Linhares → Conceição da Barra → São Mateus
Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação do Atlas das Mulheres
Sânnie Rocha
WhatsApp: (27) 99895-2965
atlas.mulheres@mulheres.es.gov.br
Assessoria de Comunicação da Serd
Renato Costa Neto / Karina Soares / Caroline Pignaton
(27) 99944-1204 / 99228-1226 / 98137-2233
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