Julho das Pretas: mapeamento da SESM revela mais de 30 atividades lideradas por mulheres negras no Espírito Santo
Levantamento feito por meio de formulário público identificou coletivos, movimentos e ações que celebram o 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela
Julho chegou, e com ele floresce em todo o país um movimento que é memória, luta e celebração. O Julho das Pretas, mobilização nacional construída pelos movimentos de mulheres negras em torno do 25 de julho, ganha força no Espírito Santo com uma programação que nasce dos territórios: dos quilombos, dos terreiros, das periferias, das cozinhas solidárias, das rodas de samba, dos saraus e das praças.
Para dar visibilidade a esse movimento, a Secretaria de Estado das Mulheres (SESM) realizou um mapeamento inédito por meio de formulário público, aberto a coletivos e movimentos de mulheres negras. O objetivo foi identificar quem faz, onde faz e como faz, para fortalecer, articular e publicizar essas ações. O resultado emociona: foram 59 respostas recebidas, que revelaram 50 atividades confirmadas, sendo 32 no Espírito Santo e 18 em outros oito estados brasileiros, da Bahia ao Paraná, de Pernambuco ao Mato Grosso do Sul.
Mais do que números, o mapeamento desenha um retrato potente da organização das mulheres negras capixabas. São coletivos literários, institutos de formação, associações de moradores, cozinhas solidárias, pontos de cultura, comunidades quilombolas e de matriz africana que, durante todo o mês, ocupam os espaços públicos com arte, escuta, cuidado e formação política.
Um julho que pulsa em todas as regiões do Estado
Na Região Metropolitana, a programação atravessa Vitória, Vila Velha, Serra e Viana com saraus, feiras, oficinas, mesas de debate e momentos de autocuidado. O Mercado da Capixaba, no Centro de Vitória, recebe o sarau "E Eu, Mulher Preta? Vozes, Memórias e Ancestralidade" e as apresentações do Coletivo Devotos de São Jorge. A Praça Costa Pereira sedia a Feira e Exposição das Mulheres Quilombolas do Espírito Santo, trazendo para o coração da capital os saberes das comunidades de Conceição da Barra. Na UFES, o Coletivo Dendê promove a mesa-redonda "Mulheres Negras na Pós-Graduação", e na Barra do Jucu o hip hop empodera com a Nação MulherES.
No Norte do Estado, Linhares e Ibiraçu concentram uma programação enraizada nos territórios quilombolas e nas comunidades: rodas de conversa sobre saúde coletiva e ancestralidade, feiras culturais, exposições de artesanato e encontros de mulheres agricultoras.
No Sul, a força vem dos pontos de cultura e dos espaços de matriz africana. Cachoeiro de Itapemirim, Anchieta, Piúma e Bom Jesus do Norte recebem atividades como o IV Ajeum com Elas, a Feijoada Ubuntu e celebrações que honram a ancestralidade de Nanã e o protagonismo da mulher negra.
E o movimento ultrapassa as fronteiras capixabas: o formulário alcançou coletivos do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraná e Mato Grosso do Sul, mostrando que o Julho das Pretas é uma teia nacional de mulheres que se reconhecem, se fortalecem e se movem juntas.
Por que 25 de julho
O 25 de julho é o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, instituído em 1992 durante o primeiro encontro de mulheres negras da região, realizado na República Dominicana. No Brasil, a data também celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à rainha do Quilombo do Quariterê, símbolo de liderança, resistência e organização política. Não por acaso, o nome de Tereza aparece em coletivos e atividades mapeadas de norte a sul do Estado.
Para a Secretaria de Estado das Mulheres, o mapeamento é uma ferramenta de política pública. Ao identificar os coletivos, suas demandas, suas parcerias e seus desafios, a SESM constrói pontes para que essas iniciativas acessem editais, formações e redes de articulação, fortalecendo o protagonismo das mulheres negras na construção das políticas que lhes dizem respeito.
"O Julho das Pretas transcende a esfera institucional; trata-se de uma mobilização enraizada na ancestralidade e na atuação cotidiana das mulheres negras em seus territórios. Nossa missão é acolher, impulsionar e dar eco a essas potências. Este levantamento evidencia que o Espírito Santo pulsa através de uma teia vibrante de coletivos que gestam arte, afeto e consciência política permanentemente.”, destaca Fabiana Malheiros, secretária de Estado das Mulheres.
O formulário de mapeamento segue como instrumento permanente de escuta, e os coletivos identificados passam a integrar as futuras articulações, fóruns e redes organizadas pela Secretaria.
Confira e participe
A programação completa das atividades mapeadas está disponível em [CLIQUE AQUI]. As ações são abertas ao público em sua maioria e acontecem durante todo o mês de julho.
Julho é das Pretas. E o Espírito Santo está em movimento.